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Enquadramento Histórico

 

 

 “ (…) Montes e ladeiras, lugares selvosos e chãos calvos, barrocais, silvados e olivedos que se penduravam pelas encostas até à margem de Alcântara.”

    (Alexandre Herculano na sua obra “O Monge de Cister”9

Al-kantara – significa a ponte na língua árabe

 

 

Desde cedo se sentiu necessidade de construir uma ponte que estabelecesse a ligação entre as margens da ribeira de Alcântara. Pensa-se que tenha sido inicialmente construída em madeira, mas foram os romanos, aquando da dominação da Península Ibérica, os primeiros a fazer a sua construção em pedra.

Durante o período de dominação muçulmana esta ponte deu o nome ao local, passando a denominar-se Alcântara (Al-kantara – significa a ponte na língua árabe). A ponte situava-se na junção das actuais ruas de Alcântara e Prior do Crato, perpendicular à linha-férrea que vai da estação de Alcântara-Terra para a estação de Alcântara-Mar. As cancelas da passagem de nível encontram-se onde estaria, aproximadamente, o vão do arco central da antiga ponte.

Os séculos XII e XIII são os séculos da cristandade, das cruzadas, das ordens militares, da fundação de dioceses, paróquias e outras instituições eclesiásticas. Algumas paróquias conservaram o nome das antigas vilas romanas, árabes ou visigóticas, como é o caso de Alcântara.

Após a conquista de Lisboa, as terras de Alcântara ficaram integradas nos Reguengos de Ribamar, que abrangiam o território compreendido entre a ribeira de Alcântara e a ribeira da Lage em Oeiras.

Em 1147 Alcântara tinha uma ocupação muito dispersa. As terras eram razoavelmente férteis, o que fez com que, desde muito cedo, fossem apropriadas pelos reis como domínio fundiário.

 

 

 

                                           Antiga Ponte de Alcântara

 

 Em Março de 1382 entrou pelo rio Tejo a poderosa armada de D. João de Castela que, não podendo danificar a cidade devido ao cerco montado por D. Fernando, resolveu subir o rio promovendo ataques, devastações e roubos de gado. Perante tão crítica conjuntura, o rei manda substituir o fronteiro de Lisboa pelo D. António Prior do Crato.

A morte de D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir originou uma crise de sucessão dinástica com três pretendentes ao trono: D. António Prior do Crato, D. Catarina (duquesa de Bragança) e D. Filipe II (rei de Castela).

Do ponto de vista militar, a rapidez era essencial para evitar o crescimento da adesão e entusiasmo popular em torno de Prior do Crato, assim, D. Filipe II determinou a invasão de Portugal.

A operação seria combinada empenhando as forças terrestres concentradas na região de Badajoz e as navais fundeadas em Cádiz. A 28 de Junho de 1580 as tropas espanholas atravessaram a ribeira do Caia, onde iniciaram a invasão.

D. António Prior do Crato decidiu concentrar a sua resistência na ribeira de Alcântara que constituía um bom obstáculo, reforçada com dupla linha de trincheiras e parapeitos para o apoio da artilharia composta por 36 naus e 9 galeões da esquadra portuguesa. As tropas portuguesas apenas permitiram uma defesa estática, numa primeira investida os espanhóis passaram a ribeira e seguidamente passaram o flanco direito provocando a debandada das tropas portuguesas, acabando por perder a independência durante 60 anos a favor de Espanha.

 

D. António Prior do Crato

 

Filho do infante D. Luís, e neto de el-rei D. Manuel. Foi um dos pretendentes à coroa portuguesa. Nasceu em Lisboa, em 1531, morreu em Paris a 26 de Agosto de 1595.  

 

Em meados do século XVII Alcântara parece reunir todas as condições de agrado perto de Lisboa e com acessos não muito difíceis.

A Junqueira estava na moda na primeira metade do século XVIII. São dessa época alguns palácios que a caracterizaram e continuam a caracterizar.

Devido aos estragos provocados pelo terramoto de 1755 no centro da cidade o rei e o governo vieram instalar-se nesta zona atraindo a nobreza, o funcionalismo, o pessoal do paço, o comércio que vivia de toda essa gente, os artistas e os artífices que eram chamados a construir e decorar as suas casas.

Os registos paroquiais desta época estão cheios de referências a famílias da alta e baixa nobreza, que habitavam nesta zona cujas casas hoje são habitadas por gente de camadas sociais mais modestas.

Terminado o período conturbado das invasões francesas, tanto a agricultura como a indústria encontravam-se completamente paralisadas, as devastações eram profundas. Seguiram-se as lutas liberais, que vieram a piorar o quadro de devastação já implementado. Era preciso recomeçar. A parte Ocidental de Lisboa foi a mais afectada, principalmente a zona ribeirinha compreendida entre Alcântara e Pedrouços.

Todavia, a acentuada industrialização continuava a dominar a fisionomia deste vale. Foram identificadas numerosas estamparias de pequena e média dimensão, bem como diversas manufacturas de curtumes, desde os finais de mil e setecentos até às primeiras décadas do século XIX.

A extracção de pedra para a construção e para o fabrico de cal era uma indústria que já existia há muito tempo na zona. Visto se tratar de uma região de calcários encontram-se várias referências desta actividade ligadas à construção dos seus edifícios.

Alcântara estava a industrializar-se, as fábricas de curtumes locais estavam situadas no sítio de Santana, Vila Pouca, Horta Navia, Ribeira de Alcântara e Rua da Cascalheira. As de estamparia na Quinta do Loureiro, Quinta da Várzea e Ponte de Alcântara. 

Os membros da família Ratton, entre 1807 e 1824, tentaram instalar no Calvário um moinho de cereal movido a vapor (o qual não obteve sucesso), e uma fábrica de louça, entre outras que montou na sua propriedade da praia do Calvário, destaca-se em 1839 a Fábrica de Lanifícios Daupias de Pedro Daupias, neto de Jácome Ratton. Perto desta fábrica, mas em direcção a Santo Amaro instalou-se a Companhia de Fiação de Tecidos Lisbonense (1846-1855).

Em meados do século XIX fixaram-se em Alcântara algumas unidades fabris ligadas à indústria química (sabão, velas de estearina, azeite de purgueira, óleos, etc.). O sítio do Calvário que foi durante toda a época moderna uma zona de quintas, palácios e conventos converteu-se num pólo industrial bastante importante.

A área industrial a Sul do Largo do Calvário e da antiga Rua de São Joaquim adensou-se de construções, como por exemplo as instalações da Carris.

Sobre o caneiro de Alcântara já coberto, construiu-se para além do caminho-de-ferro acima referido, a estação de Alcântara-Terra e o Mercado de Alcântara inaugurado a 31 de Dezembro de 1905 na Praça General Domingos de Oliveira.

Desde 1876 que já se encontrava em grande parte urbanizada a zona delimitada pela Calçada da Tapada e Calçada de Santo Amaro a Norte, e a poente e a Sul pela Rua de Alcântara, Largo do Calvário e Rua 1º de Maio.

Os transportes públicos urbanos de passageiros em Lisboa surgem após 1860, altura em que já existiam muitas fábricas. Mesmo assim, até 1888 o custo desses transportes era muito elevado relativamente aos salários das camadas populacionais mais desfavorecidas, ou seja, a população fabril. A maioria dos operários, especialmente as mulheres e os aprendizes que morassem longe dos seus locais de trabalho não eram utilizadores dos transportes colectivos, deslocavam-se a pé ou tentavam arranjar casas nas imediações das fábricas. Foi como resposta a esta situação e a pensar especialmente na população feminina, que tinham tarefas domésticas após o dia de trabalho na fábrica, que na segunda metade do século XIX surgiram os bairros operários e os pátios. Só entre as ribeiras de Algés e de Alcântara existiam 108 pátios.

A melhoria dos transportes públicos contribuiu para o desenvolvimento do bairro de Alcântara.

No dia 2 de Abril de 1887 foi inaugurada a linha de caminho-de-ferro entre Alcântara-Terra e Sintra, recentemente reactivada. Prolongada até à estação de Alcântara-Mar, em 1891 a linha férrea teria sido construída depois das obras de aterro na praia de Alcântara, efectuadas desde 1876 conquistando mais de 500 metros ao Rio Tejo, possibilitando a instalação de mais fábricas, instalações portuárias e arruamentos.

Entre 1884 e 1886 começaram a ser urbanizados os bairros de Santo Amaro e do Calvário, este aberto em parte da Antiga Quinta da Ninfa. Aos arruamentos foram dados os nomes associados às comemorações do tricentenário de Camões.

Tão elevado número de fábricas determinou o carácter popular e operário do bairro de Alcântara, que se traduziu desde cedo num grande movimento associativo, registando-se em Alcântara uma invulgar concentração das mais variadas formas de associação operária, colectividades, cooperativas, cantinas, creches, escolas, asilos, salas de teatro, etc.

 Algumas destas associações chegaram aos nossos dias, destacando-se assim o papel da “Promotora”, fundada para garantir aos adultos a instrução.

Assim, esta sociedade foi um importante centro de dinamização cultural e de propaganda dos ideais liberais e republicanos.

No entanto, o quotidiano de Alcântara não era só diversão, pelo contrário, os ritmos de trabalho nas fábricas e as condições de vida precárias da maior parte da população originavam frequentemente conflitos sociais. Das lutas do operariado de Alcântara faz parte entre outras, a greve de tipo insurreccional de Junho de 1872 e que ficou na história com o nome de “A Pavorosa ”.

A EIP (Empresa Industrial Portuguesa) era a maior e mais moderna metalurgia do país até aos anos 20 e, tinha os operários mais reivindicativos, verificaram-se greves em várias ocasiões, em 1886, em 1894, sendo a que teve maior duração e impacto no ano de 1903. Esta greve (1903) começou a 7 de Dezembro como protesto contra a imposição de um encarregado geral estrangeiro. A 17 de Dezembro os grevistas eram às centenas, travando violentos confrontos com a polícia em Santo Amaro.

No início do século, o bairro de Alcântara era considerado um bairro marcadamente republicano. Em 1902, por ocasião do Convénio, conspirava-se, chegando mesmo a haver uma tentativa de levantamento armado organizada em Alcântara pelo comerciante João de Oliveira Miguéis que pertencia ao directório do Partido Republicano Português.

A partir do Ultimato Inglês em 1890, o período final da monarquia foi marcado por crises sucessivas. A monarquia era posta em questão por parcelas cada vez maiores da opinião pública.

Em 1908, com a esmagadora vitória dos republicanos nas eleições municipais, a monarquia havia entrado na sua última crise. Após o afastamento do ditador João franco e o assassinato do Rei D. Carlos I, o rei D. Manuel II convocou em Junho de 1910 um dos chefes do Partido Regenerador na tentativa de um novo governo com base num acordo. Este nunca chega a ser concretizado pois a conspiração republicana há muito já preparada e muitas vezes fracassada tem início no dia 4 de Outubro. Na manhã de 5 de Outubro de 1910 Machado Santos desce a Avenida da Liberdade em direcção ao Quartel-general impondo ao Estado-Maior Monárquico uma rendição. Era então proclamada a República.

Durante os anos seguintes à implantação da República, Alcântara foi palco de inúmeros conflitos sociais: em Novembro de 1910 greve do pessoal dos eléctricos; em Março de 1911 greve na CUF; em 1913 conflitos em Alcântara entre operários e burgueses, dos quais resultaram 2 feridos graves; em 1916 tumultos em Alcântara devido à carestia de vida (tropa atacada a tiro e à bomba); em 1919 atentado contra Alfredo da Silva, o patrão da CUF.

Participaram igualmente em toda esta agitação social e revolucionária os vários grupos anarquistas que entretanto se constituíram: a 2ª Comuna em Alcântara no ano de 1921; o Grupo Anarquista 13 de Outubro (1911); Grupo Anarquista Centro de Regeneração Humana (1911); Centro de Estudos Sociais; Grupo Anarquista os Rebeldes (1912); Grupo Anarquista Libertário Escolar (1912) e o Grupo Anticlerical Alcântara Livre em 1914.

Após o 28 de Maio de 1926 e já em plena ditadura salazarista, o bairro de Alcântara continuou fiel às suas tradições revolucionárias, participando em revoltas e movimentos da oposição e sofrendo as consequentes repressões fascistas.

Na greve geral de 18 de Janeiro de 1934 a estação de Santo Amaro foi cercada pela tropa às 4 horas da madrugada. As greves de 28 de Julho de 1943 paralisaram a zona industrial de Alcântara, principalmente uma manifestação das trabalhadoras da Fábrica dos Alfinetes e da Fábrica de Chocolates Regina.

Durante o 1º quartel do século XX deixam de exercer actividade quase todas as grandes fábricas do núcleo da Ribeira de Alcântara e Calvário ficando, unicamente, a Companhia União Fabril no Largo das Fontainhas. Na zona Sul do Largo do Calvário e Rua 1º de Maio surgiram novas actividades industriais de mão-de-obra menos intensiva como a Refinaria Colonial, posteriormente chamada do Ultramar e mais tarde Sidul, e a estação dos carros eléctricos ou a Serralharia Dargent.

O bairro de Alcântara foi-se tornando cada vez mais comercial e residencial do que fabril.

No fim da segunda guerra mundial a parte Ocidental da cidade tornou-se praticamente residencial, contudo o núcleo industrial Alcântara/Santo Amaro manteve-se.

A ponte sobre o Tejo, actual Ponte 25 de Abril, foi responsável pela profunda modificação do Vale de Alcântara, provocando a demolição de uma boa parte da zona habitacional.

Actualmente Alcântara irá ser alvo de uma profunda transformação social com a realização de projectos urbanísticos.

 

 

 

 

 
[Retroceder] [Reprodução Audio] Data de 2/15/2008
 


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